Era uma menina magra de canela fina e uma barriguinha inchada que parecia que tinha verme, se tivesse concurso da mais feia do colégio eu ganhava disparado das meninas...rs
Sempre aprontei muito junto com meus irmãos e meus amigos. Naquela época não existia celular, nem computador e apesar de ter vídeo game, não tinha tanta graça como as brincadeiras na frente de casa, com todo mundo junto, ficávamos numa vila sem saída que tinha na lateral do prédio que eu morava, brincávamos de pega-pega, queimada, taco, amarelinha, carrinho de rolimã e até soltar balão eu já soltei, tinha vezes que eu enjoava das brincadeiras e começava a tocar campainha e sair correndo, os vizinhos acabavam descobrindo que era eu e contava pra minha mãe. Eu apanhava ou ficava de castigo no caroço do milho ou de arroz, minha mãe era cruel. Mas passava algum tempinho lá vou eu de novo, parecia que tinha prazer de aprontar, levantava a noite e assaltava no armário uma lata de leite moça, fazia um furo e bebia inteirinha sozinha, sentia dor na minha barriga e não podia falar nada, pois minha mãe já desconfiava que houvesse sumido. Já fugi de casa e meu pai me achou, subi em árvores e não consegui descer, já corri descalça e cortei meu pé com caco de vidro, essa foi a pior dor que senti...
Naquele tempo nós tínhamos ótimos programas os que eu mais gostava, eram:
“Domingo no Parque”, novela “Meu Pé de Laranja Lima”, programa infantil “Balão Mágico” e “Sitio do Pica Pau Amarelo”, grupo musical “Trem da Alegria” e os meus desenhos favoritos eram dois “Esquadrilha da Fumaça” e “Pica Pau”, muito bom lembrar os programas e os artistas dessa época, pelo menos, existiam transmissão de valores que hoje são raros. É inexplicável a emoção de ter passado por tudo isso, que pena que o tempo não volta mais, meus olhos chegam até ficar cheio de lágrimas, mais valeu cada minuto. Essa era a vila sem saída que comentei no texto, aqui estão alguns amiguinhos meu. Estão curiosos para saber qual dessas crianças sou...?rs
Confesso que vivi intensamente cada momento da minha infância, sem qualquer trauma de arrependimento, muito pelo contrário, foram tempos maravilhosos, onde não tínhamos compromisso com nada a não ser estudar, se divertir e sorrir!
Hoje, apesar de tudo ser diferente, passo as coisas boas para os meus filhos e não tenho vergonha de deixar a criança que há dentro de mim sair e contaminar a todos com a minha alegria.
Somos os próprios autores de nossas histórias, escreveremos nossos finais, sejam felizes ou não, tudo depende de nós!


